Dois dias, quase 20 horas de rock, 16 bandas de todo o país e mais de 1500 aficionados presentes foram os ingredientes perfeitos para compor o bolo de três anos do Festival Aumenta que é Rock! A maior festa do rock paraibano cumpre o propósito de proporcionar a mais diversificada salada sonora atendendo a todos os gostos dos adeptos do gênero mais universal de todos os tempos. Do rock em preto e branco ao metal. Do hardcore ao stoner rock. Do hard rock ao pop. Do eletro-rock ao pós-punk. “It´s only rock´n roll, but we like it!!”

A organização agradece a todos que de alguma forma contribuíram para a concretização do III Festival Aumenta que é Rock (equipe de apoio-som-segurança, bandas, patrocinadores, imprensa e principalmente ao público, sem o qual nenhuma festa tem brilho). O quarto Aumenta que é Rock já está em gestação e almeja passadas ainda mais largas para 2009. Aguardem e fiquem ligados nas novidades…
Abaixo algumas resenhas de jornalistas e críticos musicais sobre o III Faqer:
(Sexta-feira, 31 de outubro)
Aumenta que isso aí é Rock and Roll!!!
Por Jesuíno André
O Festival Aumenta Que É Rock é um dos responsáveis por colocar João Pessoa e a Paraíba no mapa do circuito dos festivais independentes do país. E olhe que a tarefa não é fácil.
Chegando na porta a banda Cerva Grátis já tava rolando. Bom, o Ladonorte presente para testemunhar o evento. Começamos vendo o Hijack de Campina Grande, com um bom vocalista, banda bem entrosada, mas um tanto confusa na sonoridade. Quando tocaram um cover de um famoso grupo novaioquino, a editora Olga Costa me interpelou surpresa perguntando “o que estão fazendo?!”. Descaradamente (na brincadeira!) pedi para tocarem “Jiraya”, chegando a causar risadas no grupo de belas gurias na nossa frente, que cantavam todas as músicas da banda, mas o pedido não foi atendido porque já era fim de festa. Resumindo: o som era rock alternativo com um dos guitarristas com cacoete de metal, o ponto fraco disso tudo.

O paulista Venus Volt tocam na sequência, a primeira das “estrangeiras” a subir no palco. Eu pensava que a simpática vocalista Trinity fosse grandona, mas era pequena de aparência frágil e voz bacana. O começo do show foi truncado, o volume de voz ruim e percebi que estavam um pouco nervosos. Depois acertaram a mão, o nosso Edy contribuiu para melhorar na mesa de som. O restante da apresentação foi muito legal, com o público respondendo bem. O guitarrista Pellê tem uma série de riffs e timbres perfeitos. Depois do show, me confessaram que curtiram bastante.
Tava cansado de ficar em pé e fui tomar uma gelada quando o AMP de Recife fez sua apresentação. Apesar de distante, não me surpreendeu como esperava pelos inúmeros comentários à respeito. Marcelo Gomão (Vamoz!), vindo na bagagem dos rapazes, me disse que iria ouvir o “som do caos!”. Acertou em cheio!!! Espero ter a oportunidade de ouvi-los novamente.
O local Sem Horas é um dos grupos que mais crescem no palco. Postura e sonoridade de gente grande. Tava lá para ouvir rock e consegui escutá-lo perfeitamente com os goianos do Black Drawing Chalks, rock-garage-southern-rock matador com guitarras incendiárias. Melhor show da noite, sem dúvida, até mesmo porque não assiti ao Forgotten Boys, que dispensa comentários. O som dos comedores de pequi é figura carimbada por aqui, na edição do ano passado o The Rockfellers fez um set com algumas caracteristicas parecidas.Muito bom!

Depois desse ataque tava pronto pra dormir. Por um imprevisto, não pude estar na segunda noite, mas acredito que tenha sido um sucesso, muita gente querendo ver o Mukeka di Rato e o Torture Squad, dois veteranos da cena rock nacional. O único senão do evento foi o impedimento da entrada e saída no estabelecimento, quem entrava tinha restrição se fosse sair e voltar. Muitos não gostaram da atitude, mas acredito que os produtores irão analisar esse fato.
We rock!!!
Jesuíno André- dinossauro do rock paraibano e colunista do site ladonorte.net
(Sábado, 01 de novembro)
Por Valterli Mendes
Marcado para se iniciar as 20:00 horas, o Aumenta Que É Rock teve apenas meia hora de atraso, fazendo com que eu perdesse a banda de abertura, Mobiê.
Quando adentrei ao local, por volta das 21:00 horas a banda local Thyresis fazia os últimos ajustes no palco para se apresentar. Antes do evento ouvi vários comentários que enalteciam a qualidade dessa banda, mas foi a vendo ao vivo que pude ter certeza de sua qualidade. Praticante de um Death Metal altamente técnico e cheio de boas melodias (não confundir com Death Metal melódico) o quarteto cumpriu de forma satisfatória seu papel. Além da “Intro”, que é uma instrumental contida em sua Demo de estréia, “Journey Beyond Infinity”, mandaram cinco músicas de autoria própria, onde se nota uma grande ênfase na parte instrumental, com boa influência do Thrash e Heavy Metal tradicional em algumas passagens. Os vocais graves de Victor Hugo Tagino (também baixo) se encaixaram bem no estilo adotado pela banda. Músicas como “Still Alive” e “Dispersed” foram excelentes para se bater cabeça.
As duas bandas seguintes foram Notforsale do Ceará e Rótulo de Sergipe. A primeira caminhando pelo famigerado Emocore, com vocais agressivos e letras falando de amor. Tiraram ainda um cover para “Walk” do Pantera, mas que fugiu muito da música original, ficando quase que irreconhecível. A segunda, apesar de não ser uma banda de Emocore propriamente dita, chegava a lembrar algo do CPM 22. Um Hardcore mais polido, com passagens Rock/Pop, e letras politizadas. Sobrou mais tempo para tomar umas cervejas…
Depois a banda local Soturnus sobe ao palco. Ainda divulgando seu ‘debut’ álbum “When Flesh Becomes Spirit”, a banda apresentou mudanças em sua formação, trazendo um novo vocalista, Marcos Mereles, e um novo guitarrista Eduardo Borsero. Fiquei um tanto receoso, pois Rafael Basso (antigo vocalista) tinha um vocal bem flexível, conseguindo fazer com naturalidade vocais agressivos, guturais e limpos, mas depois da Intro “Stimuli” e no decorrer de “Verge of Changes”, foi notado que o substituto caiu muito bem na banda, e ainda deu um gás na sonoridade do agora quinteto. As vocalizações agora ficaram mais agressivas e gritadas, mas as passagens limpas ainda se fazem presentes, não descaracterizando as músicas do álbum. A presença de palco de Marcos foi muito forte, com o mesmo se portando muito bem no palco, e o início com o público apenas olhando de forma curiosa a nova formação, se tornou caótico em seu decorrer, com violentas rodas de moshes sendo abertas no local. Além de músicas como “Ephemeral Lifes” e “Pain and Pleasure”, a banda ainda apresentou a nova “The Doors of Perception”, dando uma prévia do que estar por vir, e um cover para “Serenity in Fire” do Kataklysm, grande influência na sonoridade do Soturnus.

Estava chegando a hora de um dos shows mais esperados da noite. Um belo backdrop (pano de fundo) dava um visual bem bonito no palco. Na verdade esse pano de fundo é a capa do novo álbum do Torture Squad, álbum que foi bem enfatizado nesse show, a começar pelo início, com a Intro “MMXII”, que logo deu espaço para “Living For The Kill”. O caos tomou conta do lugar! Impressionante como a banda evolui a cada álbum lançado. Forte presença de palco e as viagens que a banda fez pela Europa, além da participação no Wacken, fez com que ela ganhasse ainda mais experiência no palco. No show do Torture Squad não houve espaço para ninguém descansar ou respirar um pouco, apenas em algumas passagens mais cadenciadas das músicas, onde a galera parava pra bater cabeça, no demais, com moshes e stage divings. Enquanto isso a banda continuava a destilar músicas de seu novo álbum, como “The Beast Within”, “In The Cyberwar”, a cadenciada “Hellbound” e a destruidora “Man Behind the Mask”, não necessariamente nessa ordem. O novo guitarrista, Augusto Lopes, já está totalmente inteirado com o som praticado pelos paulistanos, e apesar de um pouco parado em palco, destilou uma massa muito pesada de riffs. Já Castor, bem… O cara detona! Linhas inconfundíveis de baixo, que muitas vezes servem de apoio aos solos de guitarra. Agora o destaque da banda, sem dúvidas, é o carismático vocalista Victor Rodrigues. Esse cara canta demais! Além disso, tem uma forte presença de palco, um verdadeiro “frontman”, às vezes comandando o público sem ao menos dar uma palavra. Apesar da ênfase nas músicas do novo álbum, ainda mandaram “Horror And Torture”, “Towers in Fire” e “Pandemonium”, nessa última o local se transformou num verdadeiro pandemônio. O que já estava quente virou o inferno! A última música sintetiza bem o que é o Torture Squad: uma “Corporação do Caos”, então mandam uma das músicas que eu mais esperava na noite: “Chaos Corporation”! |Olhe que eu, às vezes, não me continha em apenas ficar olhando os caras tocando, mas o poderia resumir em apenas uma palavra: DESTRUIDOR!
Depois de um tempo para o público respirar e molhar a garganta, e novos ajustes no palco, a paraibana Letal sobe ao palco para fazer seu show. A tarefa não era das melhores, já que a banda ficou entre o Torture Squad e o Mukeka Di Rato, mas isso não a intimidou, já que fez um show correto e instigante, inclusive novamente colocando a galera para abrir novas rodas. A banda pratica um Hardcore “brabo”, com muita influência do praticado na década de 80, inclusive com forte influência do Ratos de Porão, além de trazer algumas nuances do Grindcore e Thrash Metal em músicas como “Sistema Corrompido” e “Horário Político”. A aparelhagem sonora apresentou algumas oscilações, mas era de se esperar depois de algumas horas de shows, inclusive algumas microfonias foram ouvidas no decorrer da apresentação, felizmente nada duradouro ou que viesse a atrapalhar a Letal. Ponto para o quinteto, que conseguiu fazer com que muitos agitassem, apesar do cansaço.


Apesar de o grande público presente ter se reduzido pela metade, ainda faltava o Mukeka Di Rato. Sinceramente, eu ainda não conhecia o som da banda, mas felizmente me impressionei positivamente com o que vi em sua apresentação. Apesar de estar desfalcada do vocalista Sandro, e reduzida a trio, com o horário avançado e depois de várias cervejas, Mozine (baixo/vocal), Paulista (guitarra/vocal) e Brek (bateria), incendiaram o local, com sua mistura de Hardcore com Punk e Grind. Em razão do desfalque, Mozine a toda hora perguntava ao público quais músicas ele queria ouvir, mas notei que quando ele ouvia uma citada música a tocava. Acho que era a que a banda havia ensaiado. Rodas e rodas que não pararam até o final da apresentação do Mukeka Di Rato. Os caras conseguiram deixar o público acordado, e ainda por cima agitando ao som de “Cachaça”, “Heróis da Nação Falida”, “Eu Como Merda”, e “Desculpa Mãe” (essa com os vocais de uma menina que estava no palco). A movimentação em cima do palco foi incessante, principalmente de Paulista, que corria pra lá e pra cá, se deitava, pulava e batia cabeça sem parar.
Agora é esperar o IV Aumenta Que É Rock, obviamente com uma noite exclusivamente dedicada a música pesada, preferencialmente ao HEAVY METAL e suas vertentes.
Valtelir Mendes – colunista do site recifemetallaw.com.br